Separação de papéis em projetos

Um dos fatores mais importantes, porém, muito relegado em projetos, é a separação dos papéis. É óbvio que projetos menores ou que envolvam menos pessoas acabam por resultar em grandes acúmulos de funções, contudo, o gestor do projeto ou qual seja o nome que seja dado ao seu responsável, precisa estar atento a separação de papéis, no que tange principalmente os interesses e seus possíveis conflitos.

Alguns papéis, se forem delegados ao mesmo indivíduo, podem acarretar em alguns desses conflitos de interesses, desde os mais simples e aparentemente inofensivos, até alguns mais graves ou mesmo arriscados.
Para causar impacto já no início do texto e provar meu ponto, vou começar com um exemplo conhecido de todos e que causou grande comoção mundial. O acidente de avião que vitimou quase toda a delegação da Associação Chapecoense de Futebol.

Você pode alegar que não se trata de um projeto, mas lembre-se, a diferença entre um projeto e um simples amontoado de tarefas que se intercalam, é o planejamento, ou seja, quase tudo é um projeto. Uma viagem tem um itinerário, uma data e hora definidas, várias pessoas envolvidas, então é sim um projeto.

Pois bem, esse exemplo do acidente é muito emblemático, pois houve um acúmulo de funções muito incomum e extremamente infeliz. O piloto da aeronave era também o dono da companhia!

O conflito de interesses nesse caso é óbvio e foi muito grave. Ele muito provavelmente não quis reabastecer o avião para economizar e isso causou a queda do avião. Uma economia dessas não só não ocorreria se ele não fosse o dono, como, com certeza, ele seria contrário a esta ideia…

Porém, o caso mais comum, talvez seja o conflito de interesses entre desenvolvedor ou analista e o testador. Nunca será seguro que o responsável pelos testes esteja ligado à qualquer outra responsabilidade no projeto, pois o mesmo pode se ver compelido a fazer certas concessões em nome do prazo. Quando o desenvolvedor for necessário como testador (não estou me referindo ao simples teste que o mesmo executa, mas os chamados testes formais), é boa prática que ao menos ele não seja responsável pelos mesmos itens que desenvolveu.

Outro caso bem comum e que eu mesmo já pude vivenciar é o caso onde o seu gerente é o idealizador ou dono do produto. A relação de hierarquia minimiza e muito, o real feedback, já que mesmo uma crítica produtiva pode soar mal aos ouvidos do seu superior, tornando a relação viciada e diminuindo o papel do analista.

Sendo assim, minha dica, baseada em minha experiência é: esteja atento a esses possíveis conflitos de interesse e procure separar os papéis conforme o necessário, seja o projeto qual for, caso o seu foco esteja realmente no sucesso do mesmo.

Até mais

Publicado por

Paulo Elias

Apaixonado por tudo que envolva tecnologia e games, adora escrever algumas coisas, mesmo que ninguém leia. Trabalha como analista de sistemas, casado e sempre pensando em aumentar a coleção de coisas nerds, livros, filmes, etc. Não terá tempo de jogar todos seus jogos nem se durar mais 128 anos