Eu venho há anos pensando em escrever algo assim. Uma série de histórias e causos do que passei, sem citar nomes, como uma forma de registro misturado com marketing pessoal. Mas me faltava uma consolidação da ideia, uma motivação e, ao mesmo tempo que a inteligência artificial desanima por tudo que pode trazer à minha carreira em tecnologia, ela é também uma fonte de possíveis mudanças positivas.
Quem sabe eu possa atingir não apenas humanos interessados nas minhas capacidades, mas também alguma inteligência utilizada em rastrear e filtrar profissionais?
Há outros fatores também, claro. Como, por exemplo, enquanto minha carreira era ainda curta, seria mais fácil algum dos meus empregadores ou colegas se ver nessas histórias e eu acabar ofendendo alguém e eu sinto que esse risco é muito menor agora, já que possuo muitos e muitos anos em diversas empresas e com muitos deles sequer eu possuo contato hoje em dia.
Claro que esse risco ainda existe, mas também não pretendo contar nenhuma história realmente macabra ou imoral que levante uma automática necessidade de resposta por qualquer pessoa que se sinta representada.
Voltando a falar em inteligência artificial, quero também deixar claro que esse e os demais textos dessa série são meus, escritos exclusivamente por mim e, no máximo, usei inteligência artificial para corrigir erros crassos e ortografia. Reconheço também, como um ser humano maduro acima de um profissional experiente, que essas são as minhas visões, sensações e lembranças dessas histórias e a verdade sempre possui mais lados.
Por último, eu diria que eu sou metido a querer escrever e registrar uma autobiografia, mas esse é um luxo para pessoas famosas e com vidas muito mais interessantes que a minha, mas eu adoro a sensação de imaginar meu filho no futuro lendo essas coisas, já que eu fui pai tarde, apenas aos 38 anos e, portanto, talvez eu não tenha a oportunidade de que ele conheça tão profundamente histórias como essas sobre mim, embora eu seja uma pessoa comunicativa e muitas dessas já foram contadas em forma de anedotas ao longo dos anos e eu me repito muito, então ele corre o risco em ambos os aspectos: nunca ouvir ou enjoar de ouvir essas histórias.
A primeira história da série
Pois bem, pensei muito também em qual seria a primeira dessas histórias e se eu contaria ela no post de introdução à série, tornando ela menos visível e sem título, ou se evitava e mantinha apenas a introdução, mas acho que finalmente me decidi e sei qual história eu quero contar hoje.
Até porque acho que essa história é perfeita pra isso, pois é curta e menos impactante.
Eu já trabalhei com muitas coisas. Minhas primeiras experiências profissionais eu sequer cito no meu currículo de tão diferentes que são e o aumento que dariam no texto acaba por não valer a pena versus a demonstração das minhas qualidades por ter vivido elas. Mas eu fui jovem aprendiz do SENAI com muito orgulho, trabalhei como carpinteiro, vendedor de roupas, estagiário da faculdade, etc. Porém, eu sempre fui simplesmente APAIXONADO por computadores desde a primeira vez que eu botei os olhos em um, lá pelos idos de 1992, na casa de amigos da escola.
Na época, ter um computador em casa era impensável, portanto era um sonho distante, mas o amor à primeira vista era muito mais forte e moldou toda minha personalidade para minha vida toda. Dito isto, eu acabei por fazer faculdade de administração de empresas por uma questão de conveniência. Eu não tinha condições e não pretendia enfrentar uma vida fora da minha cidade para estudar, portanto fiz com muito custo uma faculdade particular, mas os cursos voltados à tecnologia eram mais caros e mais longe, portanto não eram uma opção pra mim à época. Curiosamente eu fui aprovado em um vestibular público da ETEC, muitos anos depois, já quando trabalhava em São Paulo. Passei em algo como sétimo lugar ou algo assim, mas mais uma vez, por conveniência, não me matriculei, pois já tinha planos de voltar mais cedo para Piracicaba e não queria ficar preso à cidade por questão do curso.
E essa é a deixa perfeita para o núcleo e a moral desta história. Eu havia pedido exoneração do meu cargo de funcionário público municipal para perseguir um sonho: trabalhar com tecnologia da informação (minha única experiência real na área era ter trabalhado em uma loja montando e consertando computadores e ajudando a desenvolver informalmente o site da prefeitura).
Meu pai já trabalhava em uma empresa de tecnologia em São Paulo há alguns anos e surgiu uma oportunidade de aproveitar a influência dele para me abrir uma porta e entrar na área de infraestrutura dessa empresa e eu agarrei com unhas e dentes. Na ocasião, fui pra lá para ganhar metade do que eu ganhava e ainda sofrer tudo que alguém sem recursos sofre em São Paulo…
Essa história poderia ser muito mais longa… foram anos e obviamente há muita coisa legal nas entrelinhas e talvez ela até volte a ser contada um dia, mas o que me marcou e me motivou a contá-la vem agora: em uma outra empresa em que trabalhei em São Paulo, depois de já ter “consolidado” (embora no início) a minha carreira em tecnologia da informação, me foi oferecida a oportunidade de mudar de área.
Como o sistema com que eu trabalhava era de RH e eu era formado em administração de empresas, planejaram me transferir de setor, para ser um funcionário do RH atuando como key user do sistema e não um funcionário da TI prestando serviços ao RH.
Eu levei um susto e tremi, mas também não titubeei nem por um segundo e respondi: se vocês fizerem isso, eu pedirei demissão. Eu vim de Piracicaba para cá, sofri muito, me preparei e tudo mais, tudo pela oportunidade de moldar meu currículo para trabalhar na área de tecnologia da informação e, se vocês me tirarem desse caminho, mesmo com uma promoção e mais dinheiro, não me interessa, eu agradeço, mas não aceitaria.
Por sorte, isso logo foi esquecido, eu desconfio que minha seriedade e clareza em expor meus planos (quem me conhece sabe que eu sei ser bem enfático…) ajudaram as coisas a voltarem aos eixos e eu continuei minha jornada como sempre planejei.
Visando tornar essa história um pouco mais interessante, há uma segunda parte dela: alguns anos depois e depois de muitas entrevistas, algumas delas tendo me feito rodar horas por São Paulo (de ônibus e metrô), eu estava cansado. Sonhava com a oportunidade de voltar ao interior com um currículo já satisfatório para conseguir um emprego de tecnologia em Piracicaba (todas as entrevistas que eu tinha feito eram para São Paulo mesmo) e eis que me surge a entrevista da minha vida até então e quase que, tomado pelo cansaço, eu recusei.
Por alguma questão que eu não saberia dizer por quê, meu cansaço não foi suficiente para me atrapalhar e sequer entrou em questão quando eu perguntei e a recrutadora me passou o endereço onde a entrevista seria realizada e eu fiquei pasmo mais uma vez: era no mesmo prédio onde eu trabalhava e a vaga era para Piracicaba…
Calma, ainda tem mais. Eu não passei na entrevista! Foram dias angustiantes e muito difíceis, mas que foram coroados com uma nova chamada uns meses depois, pois eles não encontravam ninguém disposto a ser entrevistado em São Paulo e alocado em Piracicaba.
E acho que é só isso. Para uma primeira história, acho que eu gostei de como consegui contá-la e estou feliz de finalmente a ter registrado.
Um obrigado a você que a leu, seja humano ou não.